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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

FOBIAS

(Luís Fernando Veríssimo)


Não sei como se chamaria o medo de não ter o que ler. Existem as conhecidas claustrofobia (medo de lugares fechados), agorafobia (medo de espaços abertos), acrofobia (medo de altura) e as menos conhecidas ailurofobia (medo de gatos), iatrofobia (medo de médicos) e até a treiskaidekafobia (medo do número 13), mas o pânico de estar, por exemplo, num quarto de hotel, com insônia, sem nada para ler não sei que nome tem. É uma das minhas neuroses. O vício que lhe dá origem é a gutembergomania, uma dependência patológica na palavra impressa. Na falta dela, qualquer palavra serve. Já saí de cama de hotel no meio da noite e entrei no banheiro para ver se as torneiras tinham “Frio” e “Quente” escritos por extenso, para saciar minha sede de letras. Já ajeitei o travesseiro, ajustei a luz e abri uma lista telefônica, tentando me convencer que, pelo menos no número de personagens, seria um razoável substituto para um romance russo. Já revirei cobertores e lençóis, à procura de uma etiqueta, qualquer coisa.




Alguns hotéis brasileiros imitam os americanos e deixam uma Bíblia no quarto, e ela tem sido a minha salvação, embora não no modo pretendido. Nada como um best-seller numa hora dessas. A Bíblia tem tudo para acompanhar uma insônia: enredo fantástico, grandes personagens, romance, sexo em todas as suas formas, ação, paixão, violência, – e uma mensagem positiva. Recomendo “Gênesis” pelo ímpeto narrativo, “O Cântico dos Cânticos” pela poesia e “Isaías” e “João” pela força dramática, mesmo que seja difícil dormir depois do Apocalipse.
Mas e quando não tem nem a Bíblia? Uma vez liguei para a telefonista de madrugada e pedi uma Amiga.
– Desculpe, cavalheiro, mas o hotel não fornece companhia feminina…
– Você não entendeu! Eu quero uma revista Amiga, Capricho, Vida Rotariana, qualquer coisa.
– Infelizmente, não tenho nenhuma revista.
– Não é possível! O que você faz durante a noite?
– Tricô.
Uma esperança!
– Com manual?
– Não.
Danação.
– Você não tem nada para ler? Na bolsa, sei lá.
– Bem… Tem uma carta da mamãe.
– Manda!"

texto retirado do livro "Banquete com os Deuses"




terça-feira, 26 de maio de 2015

Do diário de um bebê

Do Diário de um Bebê

1º mês
Completo hoje trinta dias e confesso que já estou farto de ouvir "bilu-bilu" o dia inteiro na minha cara. Por que os adultos não falam direito, fazem voz esquisita e fanhosa, se sabem que não entendo nada do que dizem e muito menos falando assim?

2º mês
Percebo que estão todos apreensivos, suas caras mudam de expressão depois que abrem o jornal e comentam que o preço do leite vai subir. Não sei por que essa preocupação se o leite que eu tomo é de graça e é a mamãe que fornece. Se o leite subir, até que é bom, porque a mamãe pode ficar rica.

3º mês
Quero esclarecer que, quando molho a fralda, choro muito, mas é por causa da despesa que estou dando. Sei como está difícil arranjar empregada pra lavar todo dia. Outra coisa que me chateia e não posso reagir, é quando as visitas dizem que sou a cara do pai. No princípio eu não ligava, mas agora, que já vi a cara do pai, não gosto muito.

4º mês
A vovó tem mania de ficar me balançando no colo e pensa que durmo por causa disso. Mas não é não. É que fico tontinho e desmaio. A mamãe passa o dia inteiro lendo livros para saber como cuidar de mim, mas os livros são tão diferentes que quem sofre sou eu, pois ela fica sem saber o que fazer.

5º mês
Não gosto quando a mamãe insiste em tirar a minha chupeta e o papai diz que é melhor do que botar o dedo na boca. O que me incomoda não é nem a falta da chupeta nem do dedo; é a discussão na minha cara.

6º mês
Não gosto do meu pediatra porque todo mês receita um monte de sopas que eu detesto e um monte de remédios que quem detesta é a mamãe. Só gosto daqueles ferrinhos que ele traz na malinha, mas toda vez que seguro um pra brincar, ele tira da minha mão e enfia na minha garganta.

7º mês
Quanto às mamadeiras, acho bom entenderem de uma vez por todas que não quero tomar, não adianta ninguém insistir, nem me passar de mão em mão pra cada um tentar uma vez. O problema não é trocarem as pessoas - é trocarem o leite, que eu conheço o gosto.

8º mês
Aqui em casa todos acreditam nos livros que ensinam "como cuidar do bebê", mas nenhum médico nunca me consultou do que gosto e do que não gosto, pois quando eles escreveram seus livros eu nem tinha nascido. Seguir estatística é nisso que dá: quem entra pelo cano sou eu.

9º mês
Não adianta ficarem dizendo na minha cara "mamã" e "papá", porque o certo é "mamãe" e "papai". As pessoas grandes ensinam a gente a falar errado porque acham que é mais engraçadinho - depois eu sei o que acontece: de tanto a gente falar errado, eles acabam mandando a gente pra escola.

10º mês
Coisa de que eu não gosto é quando chegam visitas: entram no meu quarto pra ver se estou dormindo e ficam falando baixinho que estou acordado. Depois vem outro e diz que estou dormindo, depois vem outro e diz que acha que estou acordado - ninguém se manca, pois com todo mundo cochichando não consigo dormir.

11º mês
Muito constrangedor é quando deixo a sopa no prato, só pela cara da mamãe já sei que o preço dos legumes subiu de novo. Coisa que não entendo é que todo mundo concorda que não se deve bater numa criança, mas bem que de vez em quando me dão umas palmadas. Não quero crescer nunca, acho gente grande muito nervosa.

12º mês
A maior emoção da minha vida foi quando consegui ficar de bruços, porque esse negócio de ficar deitado de costas é muito bom, mas é pro papai. Agora estou engatinhando e ouço dizer que muito breve começarei a andar. Eles não perder por esperar: assim que eu começar a andar, saio de casa.

LEON ELIACHAR, O Homem ao Zero

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

UM POUCO DE HUMOR

Do Diário de um Bebê


LEON ELIACHAR, O Homem ao Zero

1º mês
Completo hoje trinta dias e confesso que já estou farto de ouvir "bilu-bilu" o dia inteiro na minha cara. Por que os adultos não falam direito, fazem voz esquisita e fanhosa, se sabem que não entendo nada do que dizem e muito menos falando assim?

2º mês
Percebo que estão todos apreensivos, suas caras mudam de expressão depois que abrem o jornal e comentam que o preço do leite vai subir. Não sei por que essa preocupação se o leite que eu tomo é de graça e é a mamãe que fornece. Se o leite subir, até que é bom, porque a mamãe pode ficar rica.

3º mês
Quero esclarecer que, quando molho a fralda, choro muito, mas é por causa da despesa que estou dando. Sei como está difícil arranjar empregada pra lavar todo dia. Outra coisa que me chateia e não posso reagir, é quando as visitas dizem que sou a cara do pai. No princípio eu não ligava, mas agora, que já vi a cara do pai, não gosto muito.

4º mês
A vovó tem mania de ficar me balançando no colo e pensa que durmo por causa disso. Mas não é não. É que fico tontinho e desmaio. A mamãe passa o dia inteiro lendo livros para saber como cuidar de mim, mas os livros são tão diferentes que quem sofre sou eu, pois ela fica sem saber o que fazer.

5º mês
Não gosto quando a mamãe insiste em tirar a minha chupeta e o papai diz que é melhor do que botar o dedo na boca. O que me incomoda não é nem a falta da chupeta nem do dedo; é a discussão na minha cara.

6º mês
Não gosto do meu pediatra porque todo mês receita um monte de sopas que eu detesto e um monte de remédios que quem detesta é a mamãe. Só gosto daqueles ferrinhos que ele traz na malinha, mas toda vez que seguro um pra brincar, ele tira da minha mão e enfia na minha garganta.
7º mês
Quanto às mamadeiras, acho bom entenderem de uma vez por todas que não quero tomar, não adianta ninguém insistir, nem me passar de mão em mão pra cada um tentar uma vez. O problema não é trocarem as pessoas - é trocarem o leite, que eu conheço o gosto.

8º mês
Aqui em casa todos acreditam nos livros que ensinam "como cuidar do bebê", mas nenhum médico nunca me consultou do que gosto e do que não gosto, pois quando eles escreveram seus livros eu nem tinha nascido. Seguir estatística é nisso que dá: quem entra pelo cano sou eu.
9º mês
Não adianta ficarem dizendo na minha cara "mamã" e "papá", porque o certo é "mamãe" e "papai". As pessoas grandes ensinam a gente a falar errado porque acham que é mais engraçadinho - depois eu sei o que acontece: de tanto a gente falar errado, eles acabam mandando a gente pra escola.

10º mês
Coisa de que eu não gosto é quando chegam visitas: entram no meu quarto pra ver se estou dormindo e ficam falando baixinho que estou acordado. Depois vem outro e diz que estou dormindo, depois vem outro e diz que acha que estou acordado - ninguém se manca, pois com todo mundo cochichando não consigo dormir.

11º mês
Muito constrangedor é quando deixo a sopa no prato, só pela cara da mamãe já sei que o preço dos legumes subiu de novo. Coisa que não entendo é que todo mundo concorda que não se deve bater numa criança, mas bem que de vez em quando me dão umas palmadas. Não quero crescer nunca, acho gente grande muito nervosa.

12º mês
A maior emoção da minha vida foi quando consegui ficar de bruços, porque esse negócio de ficar deitado de costas é muito bom, mas é pro papai. Agora estou engatinhando e ouço dizer que muito breve começarei a andar. Eles não perder por esperar: assim que eu começar a andar, saio de casa.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Dia das Mães - O que aprendi com minha mãe!



Minha mãe ensinou a valorizar o sorriso:
“ME RESPONDE DE NOVO E EU TE ARREBENTO OS DENTES!”

Minha mãe me ensinou a RETIDÃO:
“EU TE AJEITO NEM QUE SEJA NA PANCADA!”

Minha mãe me ensinou a DAR VALOR AO TRABALHO DOS OUTROS…
“SE VOCÊ E SEU IRMÃO QUEREM SE MATAR, VÃO PRA FORA. ACABEI DE LIMPAR A CASA!”

Minha mãe me ensinou LÓGICA E HIERARQUIA:
“PORQUE EU DIGO QUE É ASSIM E PONTO FINAL! QUEM É QUE MANDA AQUI?”

Minha mãe me ensinou o que é MOTIVAÇÃO…
“CONTINUA CHORANDO QUE EU VOU TE DAR UMA RAZÃO VERDADEIRA PARA VC CHORAR!”

Minha mãe me ensinou a CONTRADIÇÃO…
”FECHA A BOCA E COME!”

Minha Mãe me ensinou sobre ANTECIPAÇÃO...
“ESPERA SÓ ATÉ SEU PAI CHEGAR EM CASA!”

Minha Mãe me ensinou sobre PACIÊNCIA…
“CALMA!… QUANDO CHEGARMOS EM CASA VOCÊ VAI VER SÓ…”

Minha Mãe me ensinou a ENFRENTAR OS DESAFIOS…
“OLHE PARA MIM E ME RESPONDA QUANDO EU TE FIZER UMA PERGUNTA!”

Minha Mãe me ensinou sobre RACIOCÍNIO LÓGICO…
“SE VOCÊ CAIR DESSA ÁRVORE VAI QUEBRAR O PESCOÇO E EU VOU TE DAR UMA SURRA!”

Minha Mãe me ensinou MEDICINA
“PÁRA DE FICAR VESGO MENINO! PODE BATER UM VENTO E VOCÊ VAI FICAR ASSIM PARA SEMPRE.”

Minha Mãe me ensinou sobre o REINO ANIMAL…
“SE VOCÊ NÃO COMER ESSAS VERDURAS, OS BICHOS DA SUA BARRIGA VÃO COMER VOCÊ!”

Minha Mãe me ensinou sobre GENÉTICA…
“VOCÊ É IGUALZINHO AO SEU PAI!”

Minha Mãe me ensinou sobre minhas RAÍZES…
“TÁ PENSANDO QUE NASCEU DE FAMÍLIA RICA É?”

Minha Mãe me ensinou sobre a SABEDORIA DE IDADE...
“QUANDO VOCÊ TIVER A MINHA IDADE, VOCÊ VAI ENTENDER.”

Minha Mãe me ensinou sobre JUSTIÇA…
“UM DIA VOCÊ TERÁ SEUS FILHOS, E EU ESPERO ELES FAÇAM PRA VOCÊ O MESMO QUE VOCÊ FAZ PRA MIM! AÍ VOCÊ VAI VER O QUE É BOM!” 

Minha mãe me ensinou CONTORCIONISMO…
“OLHA SÓ ESSA ORELHA! QUE NOJO!”

Minha mãe me ensinou o BEIJO DE ESQUIMÓ...
'SE RABISCAR DE NOVO, EU ESFREGO SEU NARIZ NA PAREDE!'

Minha mãe me ensinou DETERMINAÇÃO…
“VAI FICAR AÍ SENTADO ATÉ COMER TODA COMIDA!”

Minha mãe me ensinou habilidades como VENTRILOQUIA…
“NÃO RESMUNGUE! CALA ESSA BOCA E ME DIGA POR QUE É QUE VOCÊ FEZ ISSO?”


Minha mãe me ensinou a SER OBJETIVO…
“EU TE AJEITO NUMA PANCADA SÓ!”

Minha mãe me ensinou a ESCUTAR...
“SE VOCÊ NÃO ABAIXAR O VOLUME, EU VOU AÉ E QUEBRO ESSE RÁDIO”

Minha mãe me ensinou a TER GOSTO PELOS ESTUDOS...
“SE EU FOR AÍ E VOCÊ NÃO TIVER TERMINADO A LIÇÃO, VOCÊ JÁ SABE...”

Minha mãe me ajudou na COORDENAÇÃO MOTORA...
“AJUNTA AGORA ESSES BRINQUEDOS! PEGA UM POR UM!

Minha mãe me ensinou os NÚMEROS…
“VOU CONTAR ATÉ DEZ. SE ESSE VASO NÃO APARECER VOCÊ LEVA UMA SURRA!”

Minha mãe me ensinou A SEMPRE OUVIR UMA SEGUNDA OPINIÃO.
PEÇA PARA O SEU PAI.”

OBRIGADA POR TUDO, MÃE!